03/08/2007 ..

A Nasa é aqui...



O frio felizmente continua e comer, cozinhar e beber com frio é outra coisa, convenhamos. Acho que as pessoas até se permitem mais, mas isso é químico, tem explicação científica!

Por falar em explicação científica, estou cada vez mais intrigada com a necessidade que os “jovens” cozinheiros tem em colocar tudo no vácuo. Coisa incrível! Parece até que o mundo, na visão deles, pode ser dividido entre AV e DV! Aliás, essa siglas me lembram aqueles livros detestáveis de receita que hoje me dia encontramos nas livrarias, onde as fotos deram lugar para as fórmulas!

É de impressionar a necessidade quase absoluta que paira no ar de complicar, comprimir e acondicionar! Às vezes tenho a sensação de que o que está na moda mesmo é a Nasa! Lembro-me de que quando morei em Washington D.C (quase DV!), um dos primeiros museus em que estive foi o da Nasa. Interessantíssimo, instigante, fascinante mesmo.

Fiquei completamente atraída pelos experimentos, pelos equipamentos e pelas soluções para cada limite. Entre essas soluções a que mais me interessou foi a parte que me toca, claro, a alimentação! Comprei vários pacotinhos de comida para astronauta para tentar entender o princípio da coisa. No contexto é absolutamente fascinante, como, aliás, deve ser a experiência de sair da terra.

Mas ontem no restaurante, como de costume, não servimos comida de astronauta e curiosamente um dos comentários que colhi quando fui cumprimentar os clientes foi: “Essa comida me tirou do sério, me fez levitar, me tirou da terra!”.

Refletindo sobre isso, chego à conclusão de que mesmo sem a Nasa e o cozimento à vácuo ainda estamos salvos!

Até!

02/08/2007 ..

Cozinheiro, cabra bom...



Cozinheiro que se preze, daqueles do tipo “cabra bom mesmo”, não deixa de cozinhar nem nas situações mais adversas. Não esmorece diante dos desafios e aproveita qualquer situação para arregaçar as mangas e encarar o fogão. Seja lá como, e o quê, for!

Semana passada estive na serra, lugar que eu adoro, principalmente no frio, que dessa vez estava de rachar. Gosto de me instalar em algum lugar aconchegante, com uma lareira básica, para de lá não sair mais. O quesito gastronomia pode ficar prejudicado em situações como essas, já que esses lugares aconchegantes infelizmente não são equipados com cozinha. Mas se você fizer da imaginação o seu ponto de partida, tudo pode mudar. E isso não me falta!

Levei alguns itens básicos, dentre eles uma grelha de ferro fundido que carrego há anos no porta-malas do carro, para não ser pega de surpresa nem nas situações mais surpreendentes. Cozinheiro cabra bom não fica de calças na mão nem na beira da estrada! Antes da subida para a serra das serras – de onde não desço mais – parei em alguns pontos estratégicos, entre eles o Alemão da serra - que tem o melhor pão com lingüiça do planeta - para me abastecer de salsichas e afins. Em outra parada, não pude resistir a uma panelinha de camping, que custava R$ 4,00, e imaginei que salvaria a minha vida de alguma maneira.

Velho Peugeot ladeira a cima e lá vamos nós. Meus únicos sinais de calor eram: uma bela lareira e uma chaleira elétrica. Mas quem foi que disse que com esses dois personagens não se constrói uma história?

Na lareira fiz roast beef, salsicha, batatinhas douradas, ratatouille e torta de maçã! Com a ajuda preciosa da chaleira cozinhei um penne, alguns camarões e aqueci o leite para o chocolate quente!

Resultado? Um final de semana quase perfeito! Cabra bom!

Até!
01/08/2007 ..

Espumas e verdades...



“Eu não quero uma verdade inventada”. Acho essa frase de Clarice Lispector um primor. Na direção que a minha vida e a minha cozinha trafegam, ela se encaixa muito bem, e foi com ela que terminei minha participação no programa da Marilia Gabriela, que vai ao ar neste domingo, dia 5 de agosto.

Quanto mais você se envolve com o seu trabalho, mais procura aprimorar, crescer, desenvolver e conquistar. É uma conseqüência natural. E nessa luta pela excelência, o maior investimento é a qualidade da informação. Informação que você garimpa. Informação que você conquista. Informação que você busca no cotidiano, nos livros, nas viagens, na percepção. Informação que você constrói diariamente no pensamento.

A informação que alimenta a alma deve ser de qualidade. A comida também, diga-se de passagem! Essa informação é o motor que impulsiona o processo criativo, instiga a curiosidade e proporciona vôos mais ousados. Vôos esses que, independentemente do rumo que tomem – sejam clássicos, aerados ou espumosos! -, se estiverem centrados na palavra verdade, terão sempre um céu de brigadeiro pela frente. Mesmo que seja brigadeiro de colher, que, aliás, é uma delícia! Só não vale ser espuma de brigadeiro. Tem coisas que, em minha opinião, são imbatíveis como são!

Delícia foi também a entrevista com a Gabi, pessoa interessantíssima, inteligente, cativante e comovente. Comover é, em minha opinião, uma das virtudes mais intensas e profundas do ser humano, porque independe da sua vontade. Simplesmente acontece se for verdade! Foi um prazer, um marco, uma conquista pessoal ter a honra de ser entrevistada pela Marilia Gabriela e um privilégio poder ter vivido esse momento de maneira tão verdadeira.

Até!

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